Brachiaria brizantha cv. Marandu: o Braquiarão que tomou conta do Brasil

Poucas plantas mudaram tanto a paisagem — e a economia — do interior do Brasil quanto a Brachiaria brizantha cv. Marandu, mais conhecida como braquiarão ou brizantão. Lançada comercialmente em 1984, ela é considerada por muitos técnicos o divisor de águas da pecuária de corte moderna no país. Décadas depois, mesmo cercada de cultivares mais novas e produtivas, o Marandu segue sendo a Braquiária mais plantada no Brasil. Neste artigo, você entende os motivos — e os cuidados que ainda merece. Origem e Introdução no Brasil O Braquiarão tem origem na África Tropical, mais especificamente na região de Marondera, no Zimbábue, onde o germoplasma foi coletado na Estação Experimental de Pastagens local. O material chegou ao Brasil e foi introduzido na região de Ibirarema (SP), sendo posteriormente avaliado e desenvolvido pela Embrapa, que o lançou comercialmente em 1984. Curiosamente, “Marandu” é uma palavra de origem guarani que significa “novidade” — nome que fez jus ao impacto real que a cultivar teve sobre a pecuária nacional. Estima-se que, ainda em 2006, os benefícios econômicos gerados pelo Braquiarão já superavam R$ 3,9 bilhões, e a cultivar chegou a ocupar cerca de 70 milhões de hectares de pastagem no país — um número que por si só explica por que ele é considerado o “coringa” das Braquiárias. Características Botânicas e Agronômicas do Braquiarão Diferente da decumbens, o Marandu cresce na forma de touceira semi-ereta, robusta, podendo atingir de 1,0 a 2,0 metros de altura. Entre suas principais características estão: O Marandu se adapta bem do nível do mar até 2.000 metros de altitude, em regiões com precipitação anual superior a 700-800 mm e até cerca de 5 meses de seca. Tolera bem solos ácidos, mas não se dá bem em solos argilosos, siltosos, encharcados ou de má drenagem — um ponto de atenção importante na hora de planejar onde formar o pasto. Produtividade e Valor Nutritivo O Marandu é mais rústico e mais produtivo que a decumbens, embora fique atrás das cultivares mais modernas de brizantha (como Xaraés, Piatã e MG-5) em potencial máximo de produção. Ainda assim, entrega números sólidos: Um diferencial importante do Marandu frente à decumbens é justamente sua alta resistência à cigarrinha-das-pastagens (Notozulia entreliana e Deois flavopicta), uma das pragas mais destrutivas em pastagens tropicais — e também sua resistência a formigas cortadeiras, como saúva e quenquém. Vale lembrar, porém, que essa resistência não se estende à cigarrinha-da-cana, para a qual o Marandu tem baixa tolerância. Manejo Recomendado Para manter o Marandu produtivo e saudável ao longo dos anos, a recomendação geral para pastejo rotacionado é: Em sistemas de pastejo contínuo, a altura mínima recomendada gira em torno de 20 a 25 cm — abaixo disso, a planta começa a perder vigor e capacidade de rebrota. Onde o Marandu é Mais Indicado O Marandu é um verdadeiro coringa entre as Braquiárias, adequado para: Assim como as demais Braquiárias, não é indicado para equinos. Atenção: a Síndrome da Morte Súbita do Braquiarão (SMB) Se há um alerta que todo pecuarista que planta Marandu precisa conhecer, é a chamada Síndrome da Morte Súbita do Braquiarão, também conhecida simplesmente como “morte-súbita” ou SMB. O problema não é exclusivo do Marandu — afeta também outras cultivares de brizantha, como MG-5/Xaraés, MG-4, Piatã e Paiaguás — mas costuma aparecer com destaque justamente nas áreas mais tradicionais de braquiarão. Como a SMB se desenvolve: Fatores que agravam o problema: Como reduzir o risco: O Braquiarão não tem boa resistência em solos úmidos ou mal drenados!! Resumo Rápido Entender a fundo cada cultivar de Braquiária é o primeiro passo para tomar decisões mais assertivas na sua fazenda. Quer se aprofundar em manejo de pastagens, adubação e taxa de lotação? Acesse danilopriandi.com.br e continue aprendendo com conteúdo técnico pensado para quem vive a rotina do campo. Já teve algum problema com morte súbita nos seus pastos de braquiarão? Conte nos comentários — sua experiência pode ajudar outros produtores a identificar o problema a tempo. 🔗 Leitura complementar recomendadaEste tema se conecta diretamente com o artigo:👉 “Índices Zootécnicos na Pecuária de Corte: como transformar reprodução em lucro”, disponível no nosso blog. 📲 Quer continuar aprendendo e receber mais conteúdos práticos? Siga minhas redes sociais e acompanhe dicas, vídeos explicativos, materiais técnicos e conteúdos exclusivos sobre produção animal, manejo no campo e tecnologia aplicada ao agro: 📸 Instagram🎵 TikTok▶️ YouTube📘 Facebook💼 LinkedIn💬 WhatsApp 🔔 Siga, curta e compartilhe para fortalecer a pecuária com informação de qualidade.📩 Para dúvidas, parcerias ou consultorias, entre em contato pelas redes sociais.