
A verminose é um dos maiores vilões silenciosos da pecuária de corte e de leite no Brasil. Muitos produtores acreditam que estão fazendo a coisa certa ao aplicar vermífugos regularmente, mas acabam gastando muito dinheiro e obtendo pouco resultado. O problema não está apenas no produto utilizado, mas principalmente na época, na categoria animal e na estratégia de controle.
Neste artigo, você vai entender como ocorre a verminose em bovinos, por que o controle tradicional falha e como aplicar um controle estratégico, técnico e economicamente viável, exatamente como explicado pelo Professor e Médico Veterinário Danilo Priandi.
A verminose e o impacto econômico na pecuária
As parasitoses em bovinos geram perdas bilionárias todos os anos. Os vermes gastrintestinais são responsáveis pela maior parte desses prejuízos, superando inclusive carrapatos e moscas. A verminose reduz:
- Ganho de peso
- Produção de leite
- Eficiência alimentar
- Imunidade dos animais
- Taxas de crescimento e desempenho
O mais alarmante é que, mesmo com um gasto anual extremamente elevado com antiparasitários, o controle da verminose continua sendo insatisfatório em muitas fazendas. Isso ocorre porque a vermifugação é feita sem critério técnico, muitas vezes apenas por hábito.
Como o bovino se infecta com vermes no pasto
A grande maioria das infecções por vermes ocorre pela ingestão de larvas infectantes (L3) presentes no pasto. Essas larvas ficam aderidas às folhas do capim, especialmente em períodos de maior umidade, como nas águas, aproveitando o orvalho e as gotas de chuva.

Quando o animal pasteja, ele ingere essas larvas, que seguem para o trato digestivo e se desenvolvem até a fase adulta. O verme adulto passa então a produzir milhares de ovos por dia, que são eliminados nas fezes e contaminam novamente a pastagem.
Esse ciclo se completa rapidamente: em apenas 7 a 10 dias, um ovo pode se transformar novamente em uma larva infectante, principalmente quando há calor e umidade, condições típicas do período chuvoso.
Ciclo da verminose: fase parasitária e fase de vida livre
O ciclo da verminose possui duas fases bem definidas:
Fase parasitária
Ocorre dentro do animal. As larvas ingeridas se desenvolvem no rúmen, abomaso ou intestinos, tornam-se adultas e produzem ovos. É nessa fase que o animal sofre os principais prejuízos produtivos.
Fase de vida livre
Ocorre no ambiente. Os ovos eliminados nas fezes se desenvolvem no solo e no bolo fecal até se transformarem em larvas infectantes no pasto.
👉 Importante: não é viável tentar “matar vermes no pasto” com produtos químicos. O controle efetivo precisa focar no animal e no manejo da pastagem.
Sintomas clínicos e subclínicos da verminose
A verminose pode se manifestar de duas formas:
Forma clínica
- Anemia
- Perda de peso
- Diarreia
- Apatia
- Pelagem arrepiada e sem brilho
- Tosse (em casos de vermes pulmonares)
Forma subclínica (a mais perigosa)
Não apresenta sinais evidentes, mas o animal:
- Cresce menos
- Ganha menos peso
- Tem pior conversão alimentar
Um bovino pode deixar de ganhar 30 a 45 kg por ano apenas por verminose subclínica, sem que o produtor perceba visualmente o problema.
Quais animais são mais suscetíveis à verminose
Os principais fatores que influenciam a infecção são:
- Idade: animais da desmama até cerca de 24–30 meses são os mais vulneráveis
- Raça: zebuínos são mais resistentes; taurinos e cruzados são mais suscetíveis
- Nutrição: animais mal nutridos têm menor resistência
- Estado fisiológico: vacas no final da gestação e início da lactação
- Sistema de pastejo: pastejo contínuo e superlotação aumentam drasticamente a infecção
Manejo de pastagens como ferramenta no controle da verminose
O manejo de pastagens é um aliado fundamental no controle da fase de vida livre dos vermes. O pastejo rotacionado, com período de ocupação inferior a 7 dias, reduz significativamente a reinfestação, pois as larvas ainda não atingiram a fase infectante.
Além disso, o descanso do pasto por 30 a 40 dias leva à morte de grande parte das larvas por dessecação e falta de energia.
Já o pastejo contínuo mantém o animal em contato constante com áreas contaminadas, favorecendo a reinfecção contínua.
Controle estratégico da verminose: o que realmente funciona
O controle estratégico é um método preventivo, racional e economicamente viável. O princípio básico é simples:
- Na época das águas, 90–95% dos vermes estão no pasto
- Na época seca, 90–95% dos vermes estão dentro do animal
👉 Por isso, vermifugar nas águas é pouco eficiente. O animal se reinfecta rapidamente.
Estratégia correta
- Realizar 3 aplicações de vermífugo na época seca:
- Início
- Meio
- Final do período seco
- Priorizar animais da desmama até 24–30 meses
- Vacas adultas: geralmente 1 aplicação ao ano
- Vermifugar animais 2 dias antes de entrar em:
- Pasto vedado
- Pastagem reformada
- Confinamento ou semiconfinamento
- Vermifugar todos os animais recém-adquiridos


Essa estratégia reduz a carga parasitária dentro do animal e evita a contaminação massiva da pastagem quando começam as chuvas.
Conclusão: vermifugar menos, mas do jeito certo
O controle da verminose não é sobre usar mais vermífugo, e sim sobre usar melhor. Quando o produtor entende o ciclo do parasita, o papel do manejo de pastagens e o momento correto da aplicação, os resultados aparecem:
- Maior ganho de peso
- Menor mortalidade
- Redução da idade ao abate
- Melhor eficiência econômica
👉 No próximo artigo, vamos aprofundar quais princípios ativos escolher, como evitar resistência parasitária e como montar um calendário sanitário integrado à fazenda. Saiba mais…
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