Como Escolher Vermífugo e Calendário Sanitário Corretamente

em objetivo de mostrar o manejo calmo dos animais antes da vermifugação e vacinação

Depois de entender quando vermifugar e por que o controle estratégico da verminose é mais eficiente do que aplicações aleatórias, surge uma dúvida fundamental para o produtor:
qual vermífugo escolher, como evitar resistência parasitária e como organizar tudo isso dentro de um calendário sanitário da fazenda?

Essas decisões impactam diretamente o ganho de peso, a produção de leite, o custo com medicamentos e a longevidade dos princípios ativos disponíveis no mercado. Um erro comum é acreditar que trocar de marca resolve o problema, quando na verdade o que importa é o princípio ativo e a estratégia de uso.


Por que a escolha do princípio ativo é tão importante?

Os vermífugos não são todos iguais. Cada produto pertence a um grupo farmacológico, com mecanismo de ação específico sobre os parasitas. Quando o mesmo grupo é usado repetidamente, de forma incorreta, os vermes sobreviventes se multiplicam, dando origem à resistência parasitária.

Ou seja:
👉 o produtor continua aplicando vermífugo, gastando dinheiro, mas os animais não respondem mais ao tratamento.

A escolha correta do princípio ativo deve levar em conta:

  • Histórico de uso na fazenda
  • Categoria animal
  • Época do ano
  • Sistema de produção
  • Objetivo do tratamento (controle estratégico ou pontual)

Principais grupos de princípios ativos usados em bovinos

De forma prática, os vermífugos mais utilizados na pecuária pertencem a alguns grandes grupos:

Benzimidazóis

São uma classe essencial de anti-helmínticos (vermífugos) de amplo espectro, como FenbendazolAlbendazolOxibendazol e Tiabendazol, que tratam infecções por parasitas internos (vermes redondos, tênias, etc.) em diversos animais (bovinos, equinos, cães, gatos) e atuam interferindo no metabolismo energético dos vermes, especialmente na captação de glicose.
São eficazes contra muitos vermes gastrintestinais, mas apresentam resistência elevada quando usados de forma contínua por muitos anos.

Lactonas macrocíclicas

As lactonas macrocíclicas são uma importante classe de medicamentos antiparasitários de amplo espectro amplamente utilizados na medicina veterinária para controlar uma variedade de parasitas internos (nematódeos) e externos (ectoparasitas) em diversas espécies animais, como bovinos, equinos, cães e gatos. Grupo que inclui moléculas amplamente conhecidas no campo. As principais lactonas macrocíclicas incluem:

  • Ivermectina: Uma das primeiras e mais conhecidas, eficaz contra uma vasta gama de parasitas, incluindo vermes gastrointestinais, sarnas e piolhos.
  • Abaixo produtos a base de ivermectina com alta concentração, pois as ivermectinas a 1% já não funcionam bem devido à resistencia. O melhor custo beneficio.
  • Moxidectina: Utilizada na prevenção da dirofilariose canina (verme do coração) e no tratamento de parasitas internos e externos em bovinos e equinos. Esse principio ativo ainda apresenta baixos índices de resistência e tendem a ser mais eficazes.
  • Doramectina e Abamectina: Também são comumente usadas no controle parasitário de bovinos e outros animais de produção. Atuam causando paralisia e morte dos parasitas, com amplo espectro de ação.
    O problema é que o uso excessivo e indiscriminado tornou a resistência muito comum em várias regiões do Brasil.
  • Os produtos abaixo são bons exemplos de vermífugos com alta eficácia devido a sua alta concentração de princípio ativo.

Imidazotiazóis e outros grupos

São uma classe de medicamentos anti-helmínticos (vermífugos) amplamente utilizados na medicina veterinária para o controle de parasitas, principalmente nematódeos gastrintestinais e pulmonares em animais como bovinos e ovinos. Atuam bloqueando a transmissão neuromuscular dos vermes.
São alternativas importantes dentro de programas de rotação de princípios ativos, ajudando a preservar a eficácia dos tratamentos.

Os principais representantes deste grupo são o tetramisol e o levamisol.

👉 Ponto-chave: não é a marca que importa, e sim o grupo farmacológico. Muitas vezes o produtor troca de marca, mas o principio ativo é o mesmo.


O que é resistência parasitária e por que ela está aumentando?

A resistência parasitária ocorre quando parte da população de vermes sobrevive à aplicação do vermífugo e transmite essa característica às próximas gerações.

Os principais erros que aceleram esse processo são:

  • Aplicar vermífugo várias vezes ao ano sem critério
  • Vermifugar sempre com o mesmo princípio ativo
  • Aplicar na época errada (principalmente nas águas)
  • Subdosagem (erro de peso do animal ou falha na aplicação)
  • Tratar categorias pouco sensíveis, deixando as mais jovens desprotegidas

Com o tempo, o produtor percebe que “o remédio não funciona mais”, quando na verdade o problema foi o manejo incorreto.


Como evitar a resistência parasitária na prática

Evitar resistência não significa parar de vermifugar, mas sim vermifugar de forma inteligente. Algumas estratégias fundamentais:

1. Use controle estratégico

Concentre as aplicações na época seca, quando a maioria dos vermes está dentro do animal e a reinfecção é menor.

Saiba mais sobre o controle estratégico

2. Priorize as categorias certas

Animais da desmama até 24–30 meses devem ser o foco principal. Vacas adultas, em geral, necessitam de menos intervenções.

3. Faça rotação de princípios ativos

Evite usar o mesmo grupo farmacológico por vários anos consecutivos. A rotação ajuda a reduzir a pressão de seleção sobre os parasitas.

ex: Se nesse ano foi utilizado Lactonas Macrociclicas na época da seca, no próximo ano deve utilizar mais Imidatizóis e Benzimidazóis.

4. Integre manejo de pastagens

Pastejo rotacionado, com ocupação inferior a 7 dias e descanso adequado, reduz drasticamente a carga de larvas no ambiente.


Como montar um calendário sanitário integrado à fazenda

Um bom calendário sanitário não é um papel fixo, mas sim uma ferramenta dinâmica, adaptada à realidade da propriedade.

Passo 1: conheça seu sistema

  • Corte, leite ou misto
  • Pastejo contínuo ou rotacionado
  • Confinamento ou semiconfinamento
  • Região e regime de chuvas

Passo 2: organize por categoria animal

Exemplo prático:

  • Bezerros ao pé da vaca
  • Desmamados
  • Recria
  • Engorda
  • Vacas secas
  • Vacas em lactação

Cada categoria tem risco sanitário diferente.

Passo 3: alinhe vermifugação com manejo

  • Aplicações na época seca
  • Vermifugação antes da entrada em pastos vedados
  • Vermifugação antes do confinamento
  • Tratamento de animais recém-adquiridos

Passo 4: integre com outras práticas

O calendário deve conversar com:

  • Vacinação
  • Controle de carrapatos e moscas
  • Estação de monta
  • Período de parição
  • Planejamento nutricional

Quando tudo está integrado, o resultado é menos custo, menos estresse animal e mais produtividade.


Conclusão: sanidade é gestão, não improviso

Escolher corretamente os princípios ativos, evitar resistência parasitária e montar um calendário sanitário eficiente transforma a vermifugação de um custo inevitável em um investimento com retorno claro.

Produtores que adotam esse modelo:

  • Gastam menos com medicamentos
  • Têm animais mais produtivos
  • Reduzem perdas invisíveis
  • Mantêm os vermífugos eficazes por mais tempo

Faltou informações sobre como monitorar todo esse tratamento estratégico que foi adotado. Para isso, existe uma ferramenta perfeita que é o Teste de OPG (ovos por grama).

👉 No próximo artigo, vamos mostrar como avaliar se o vermífugo está funcionando na sua fazenda, quais indicadores observar no campo e quando ajustar a estratégia sanitária.

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