Capiaçu ou Cana-de-Açúcar? Qual é a melhor estratégia

cana capiaçu

Quando o assunto é reserva estratégica de volumoso para a pecuária, dois nomes aparecem com força nas conversas técnicas e no marketing rural: capim Capiaçu e cana-de-açúcar. Ambos produzem muita massa verde, ambos prometem “resolver o problema da seca”, mas a grande pergunta é: qual deles realmente funciona melhor na prática, dentro de um sistema bem planejado?

No mundo da pecuária, sempre surge uma “nova promessa” ou um “capim milagroso”. Atualmente, o BRS Capiaçu é a bola da vez, sendo vendido como a solução definitiva para a falta de comida. Mas será que, na prática do dia a dia da fazenda, ele realmente vence a tradicional cana-de-açúcar?

A resposta não está apenas na qualidade nutricional, mas principalmente na operação, previsibilidade, risco e custo. É exatamente isso que vamos esclarecer neste artigo.


Capiaçu e cana: são volumosos, não são milagre

Antes de tudo, é importante alinhar um conceito fundamental:
👉 Capiaçu e cana são volumosos.
Eles não são alimentos completos, não são concentrados e não fazem milagre sozinhos.

O papel deles é garantir volume de comida quando o pasto falha — principalmente na época seca, que é o verdadeiro gargalo da pecuária brasileira.


Capim Capiaçu: produção alta, mas operação delicada

Não há dúvida de que o Capiaçu produz muita massa verde. A propaganda não é mentira. O problema começa quando saímos da foto bonita e entramos na realidade da fazenda.

🔴 Ponto crítico 1: corte x conservação

O ponto ideal de qualidade nutricional do Capiaçu não coincide com o ponto ideal de conservação para silagem.

  • Se cortar novo → muita água → silagem escorre, perde nutrientes
  • Se cortar velho → perde proteína e energia

Ou seja, para conservar bem, você precisa deixar passar, e ao deixar passar, perde valor nutricional.

🔴 Ponto crítico 2: época de corte

O Capiaçu precisa ser cortado no período das águas (3 cortes por ano).
Isso significa:

  • solo encharcado
  • dificuldade de operação com máquinas
  • atraso no corte por causa da chuva
  • dificuldade para fechar silo corretamente

Além disso, não é um corte único. São 3 a 4 cortes por ano, o que transforma a capineira em uma operação agrícola permanente, com alto custo operacional e alto risco. Sem falar na dificuldade de encontrar mão de obra para as operações.


Cana-de-açúcar: previsibilidade e margem de erro muito maior

A cana não impressiona tanto no marketing, mas vence na práticidade.

🟢 Ponto forte 1: flexibilidade de corte

A cana:

  • pode ser cortada na seca
  • pode ficar plantada por meses sem perder o ponto
  • não exige operação imediata

Se hoje não deu para cortar, corta daqui a 15, 30 ou até 60 dias.
👉 Ela não perde o ponto ideal com facilidade.

🟢 Ponto forte 2: facilidade de conservação

A cana não precisa ser ensilada…ela pode ser cortada somente dentro da seca. O serviço é cortar, picar e servir no cocho. Isso retira um grande risco no sistema que é a produção de silagem.Só é feito silagem como excedente.

A cana é rica em sacarose, um carboidrato altamente fermentável.
Isso faz com que:

  • a silagem fermente com mais facilidade
  • haja menos risco de erro
  • não dependa tanto de aditivos

Já o Capiaçu tem carboidratos estruturais (fibra), fermenta pior e exige muito mais precisão.


Valor nutricional: quem entrega mais?

Se tudo fosse feito no cenário ideal, o Capiaçu poderia entregar:

  • 5–6% de proteína bruta
  • fibra um pouco menor
  • leve vantagem nutricional

Já a cana entrega:

  • 2–3% de proteína bruta
  • alta energia via açúcar

⚠️ Mas esse “cenário ideal” do Capiaçu raramente acontece na média das fazendas.

Na prática, quando analisamos:

  • 10 fazendas fazendo silagem de cana
  • 10 fazendas fazendo silagem de Capiaçu

👉 A cana apresenta muito mais estabilidade de resultado.
👉 O Capiaçu mostra grande variação: algumas boas, muitas ruins.

E previsibilidade é tudo quando falamos de planejamento nutricional e financeiro.


O erro mais comum: usar tecnologia cara para tapar buraco

Um ponto fundamental levantado na prática de campo é este:

🚨 Tecnologias como Capiaçu não devem ser usadas como solução de emergência.

Quando o produtor:

  • não planeja taxa de lotação
  • não respeita descanso do pasto
  • fica sem comida para a seca

Ele acaba caindo em “soluções milagrosas”, caras e arriscadas, apenas para apagar incêndio.

A cana, por outro lado, entra muito bem como:

  • estratégia planejada
  • reserva alimentar previsível
  • suporte a sistemas intensificados

Muitas vezes, a fazenda já precisa formar pasto, adubar, construir cerca e corrigir manejo; nesses casos a melhor opção acaba sendo a cana pois diminui uma operação de risco na propriedade.


Conclusão: estratégia vence promessa

Capiaçu não é ruim, mas é:

  • dependente de clima
  • mais dificil na parte da operação
  • mais arriscada

A cana-de-açúcar, mesmo com menor proteína e produtividade inferior:

  • é mais previsível
  • mais fácil de conservar
  • mais tolerante a erros
  • menos arriscada

👉 Em sistemas bem planejados, a cana costuma ser a escolha mais segura e eficiente.


👉 Se você quer aprender como usar a cana com uréia corretamente leia nosso artigo sobre esse assunto!

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