A fotossensibilização, conhecida popularmente como requeima ou sapeca, é uma doença que causa grandes prejuízos à pecuária brasileira. Ela afeta bovinos, bubalinos, equinos, caprinos, ovinos e suínos, mas nos bovinos o impacto é especialmente severo, principalmente em animais jovens, do pós-desmame até cerca de dois anos de idade.
Trata-se de uma condição caracterizada por sensibilidade exagerada da pele à luz solar, resultando em lesões cutâneas, dor intensa, queda de desempenho produtivo e, em casos graves, até morte. Entender as causas, os mecanismos e as estratégias de manejo é fundamental para evitar perdas econômicas e sofrimento animal.
O que é fotossensibilização?
A fotossensibilização ocorre quando substâncias chamadas agentes fotodinâmicos se acumulam no organismo do animal. Ao serem ativadas pela luz solar, especialmente a radiação ultravioleta, essas substâncias provocam inflamação, necrose e desprendimento da pele, principalmente em áreas despigmentadas ou mais expostas, como focinho, orelhas, lombo e região da cauda.
Tipos de fotossensibilização
Fotossensibilização primária
Acontece quando o animal ingere plantas ou substâncias que agem diretamente na pele, sem envolvimento do fígado. É menos comum no Brasil, mas pode ocorrer em situações específicas.
Fotossensibilização secundária (a mais importante no Brasil)
É a forma mais frequente e economicamente relevante. Nesse caso, ocorre uma lesão hepática, que impede o fígado de eliminar corretamente uma substância chamada filoeritrina — um subproduto da degradação da clorofila no rúmen.
Com o fígado comprometido, a filoeritrina se acumula no sangue e na pele. Ao receber luz solar, desencadeia as lesões típicas da fotossensibilização.




Principais causas no Brasil
Diversas plantas podem causar fotossensibilização secundária, entre elas:
- Braquiária (responsável por cerca de 90% dos casos no Brasil)
- Enterolobium contortisiliquum (orelha-de-macaco ou timbaúva)
- Lantana camara
- Crotalaria spp.
Entre todas, a braquiária merece atenção especial, pois é a forrageira mais utilizada no país. O problema não é o capim em si, mas a presença de saponinas, compostos naturais da planta que, após metabolização no rúmen, formam cristais nos ductos biliares, causando a lesão hepática.
👉 Bezerros recém-desmamados são os mais suscetíveis, pois passam a ingerir grandes quantidades de braquiária justamente nesse período crítico.
Principais sinais clínicos
Os sintomas variam conforme a gravidade, mas os mais comuns incluem:
- Coceira intensa e inquietação
- Animais esfregando-se em cercas e árvores
- Redução do consumo de alimento
- Perda de peso sem causa aparente
- Espessamento da pele
- Feridas, crostas e descamação
- Lesões principalmente em áreas claras da pele
- Em casos graves: debilidade extrema e morte
Mesmo na forma subclínica, a doença gera queda significativa no desempenho produtivo, resultando em prejuízos silenciosos.
Tratamento da fotossensibilização
O tratamento deve ser rápido e estratégico:
- Retirar imediatamente os animais da pastagem problema, especialmente braquiária
- Manter os animais à sombra, protegidos da luz solar
- Utilizar protetores hepáticos para auxiliar na recuperação do fígado
- Uso de antibióticos de amplo espectro quando houver infecção secundária das lesões
- Tratamento tópico diário das feridas até completa cicatrização
⚠️ Importante: o sucesso do tratamento depende da rapidez na intervenção e da correção do manejo da pastagem.
Como prevenir a fotossensibilização
A prevenção é sempre o melhor caminho. Algumas estratégias fundamentais incluem:
- Diversificação das pastagens, evitando uso exclusivo de braquiária
- Pastos alternativos para bezerras e bezerros no período da desmama
- Ajuste da taxa de lotação, evitando consumo excessivo de braquiária jovem
- Suplementação estratégica para reduzir ingestão exagerada do capim
- Monitoramento frequente dos animais jovens
👉 Quer aprofundar esse tema? Recomendo a leitura do artigo “Manejo correto de pastagens na transição águas-seca”, disponível aqui no blog, que complementa diretamente essa estratégia preventiva.
Conclusão
A fotossensibilização é uma doença complexa, silenciosa e altamente prejudicial quando não identificada a tempo. Embora a braquiária seja uma excelente forrageira, seu uso exige planejamento, manejo correto e atenção especial ao período pós-desmama.
Produzir bem não é apenas ter pasto e genética, mas entender os riscos do sistema e antecipar soluções. Prevenção, manejo adequado e informação de qualidade são as chaves para manter um rebanho saudável e lucrativo.
👉 Esse tema se conecta diretamente com outro ponto essencial da produtividade.
Recomendo a leitura do artigo:
“Intensificação da Pecuária à Pasto”, disponível nesse blog.
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