Intensificação da Pecuária a Pasto: por que o pastejo rotacionado é a base da produtividade sustentável

Durante décadas, a pecuária brasileira foi construída sob a lógica da baixa intensificação: pouca tecnologia, baixa taxa de lotação e produtividade limitada. Esse modelo funcionou enquanto havia terra barata e abundante. Hoje, esse cenário mudou. Para a pecuária ser sustentável, competitiva e lucrativa, ela precisa produzir em níveis semelhantes a outras atividades agrícolas.

Essa visão é defendida há mais de 30 anos por Moacir Corsi, professor titular da ESALQ/USP e uma das maiores referências em pastagens, intensificação da pecuária e pastejo rotacionado no Brasil.


Intensificação não é modismo, é análise de sistema

Muitas pessoas chamam a defesa da intensificação de “visão de futuro”, mas isso não tem nada de visionário. A intensificação nasce da análise técnica dos sistemas de produção. Quando o pesquisador ou o consultor avalia um sistema, seu papel é identificar qual é o elo mais fraco da cadeia produtiva e atuar exatamente ali.

Ao estudar a fisiologia da planta forrageira, fica claro que é possível produzir muito mais por hectare. No entanto, quando se tenta elevar a produtividade em sistemas de pastejo contínuo, surgem limitações práticas: ajustes constantes de lotação, dificuldade de controle do consumo e maior risco de perdas.

No pastejo rotacionado, esses ajustes são muito mais simples e eficientes, permitindo maior controle da oferta e da demanda de forragem.

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Fonte: agroceresmultimix.com

Por que o pastejo contínuo trava a intensificação

Em níveis baixos de produção, o sistema contínuo pode até apresentar resultados semelhantes ao rotacionado. O problema surge quando o produtor tenta aumentar a produtividade.

No sistema contínuo:

  • a pastagem muda o tempo todo
  • a taxa de lotação precisa ser ajustada constantemente
  • o controle do resíduo pós-pastejo é difícil
  • ocorrem perdas tanto por superpastejo quanto por subpastejo

Já no sistema rotacionado, quando há excesso de forragem, o produtor pode:

  • vedar piquetes
  • conservar forragem (silagem ou feno)
  • ajustar a taxa de lotação reduzindo ou ampliando a área

Isso traz flexibilidade operacional, algo essencial para quem quer intensificar.


Adubação e rotacionado: uma combinação inseparável

A intensificação aumenta drasticamente a retirada de nutrientes do solo. Quanto maior a taxa de lotação, maior a extração. Por isso, a adubação não é opcional — ela é um complemento obrigatório do sistema.

Embora haja reciclagem de nutrientes via fezes e urina, essa redistribuição é irregular. Não é possível planejar um sistema produtivo confiando apenas nisso. A única forma segura de tomar decisões é através da análise de solo.

A adubação garante:

  • rebrota vigorosa
  • maior proporção de folhas
  • menor intervalo de descanso
  • melhor aproveitamento do período chuvoso

O rotacionado garante:

  • Facilidade para organizar o pastejo e fazer a leitura do pasto
  • respeitar o período de descanso do capim

Ou seja, mais produção no momento em que o capim responde melhor.

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Começar pequeno: o erro de quem quer fazer tudo de uma vez

Um dos maiores erros na adoção do pastejo rotacionado é querer implementar o sistema em grandes áreas logo no início. A experiência mostra que o ideal é começar com 6 a 10% da propriedade.

Esse início em pequena escala permite:

  • melhor aprendizado do manejo
  • menor risco financeiro
  • maior controle operacional

À medida que o produtor ganha segurança, a área pode ser ampliada gradativamente. Hoje, já existem propriedades 100% intensificadas, algo impensável décadas atrás.

Para intensificação funcionar é preciso respeitar os 6 pilares da pecuaria explicados neste artigo.


O verdadeiro gargalo: manejo e perdas de forragem

A maior dificuldade no pastejo rotacionado não é adubação nem divisão de piquetes. É reduzir perdas.

A perda ocorre em dois extremos:

  • pasto rapado próximo à aguada
  • pasto alto e subpastejado em áreas distantes

Ambos representam desperdício. Antes de produzir mais, o produtor precisa aprender a não perder o que já produz.

O ajuste correto do resíduo pós-pastejo, garantindo rebrota rápida, é o primeiro passo. O indicador mais confiável de que o manejo está correto não é a altura do capim, mas sim o ganho de peso dos animais.


Taxa de lotação: a maior alavanca da produtividade

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A taxa de lotação ainda é a variável menos explorada na pecuária brasileira e, ao mesmo tempo, a que mais alavanca resultados.

A média nacional de ganho de peso gira em torno de 400 g/dia. Sistemas bem manejados atingem 700 g/dia o ano inteiro, um aumento de até 75%. Mas isso só gera impacto real quando combinado com mais animais por hectare.

Produções de 8 a 12 arrobas por hectare ainda são insuficientes para tornar a pecuária protagonista frente a outras atividades agrícolas. Para competir, é necessário pensar em 30 arrobas por hectare ou mais, algo totalmente viável com manejo correto.


Planejamento, custo e tomada de decisão

O maior bloqueio à intensificação é mental. Muitos produtores têm medo de investir porque não conhecem seus custos. No entanto, o custo da pecuária é simples de calcular.

Saber:

  • quanto custa um animal por mês
  • quanto ele ganha por dia
  • qual é o ganho mínimo para não dar prejuízo

permite decisões inteligentes, como:

  • vender animais com menor ganho
  • manter os mais eficientes
  • aumentar a média do lote sem gastar mais

Somente pesar animais e tomar decisões baseadas nisso pode aumentar o ganho médio em mais de 30%, sem investimento adicional.


Conclusão: a pecuária só será sustentável com intensificação

A pecuária brasileira não pode mais ser coadjuvante do agronegócio. Para se tornar protagonista, precisa produzir mais por hectare, com técnica, planejamento e gestão.

O pastejo rotacionado não é moda. É uma ferramenta estruturante, capaz de integrar nutrição, manejo, sanidade e gestão em um sistema produtivo, lucrativo e sustentável.

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