A escolha da espécie forrageira é uma das decisões mais importantes dentro de qualquer sistema de produção pecuária. Ela define diretamente a taxa de lotação, o ganho de peso, a produção de leite, a longevidade das pastagens e, principalmente, a rentabilidade da propriedade.
No Brasil, onde a base da produção animal é majoritariamente a pasto, errar na escolha da forrageira significa comprometer todo o sistema produtivo. Por isso, entender os critérios técnicos de seleção e conhecer as principais espécies utilizadas no país é fundamental para quem busca intensificação, eficiência e lucro.
O que caracteriza uma boa espécie forrageira?
Uma forrageira só pode ser considerada eficiente quando reúne um conjunto de características agronômicas, zootécnicas e operacionais. Entre as principais, destacam-se:
- Alta produção de matéria seca → permite maior taxa de lotação e mais produção por hectare
- Bom valor nutricional → maior teor de proteína, boa digestibilidade e menor teor de fibra
- Facilidade de implantação e estabelecimento
- Boa tolerância à seca, frio, geadas e variações climáticas
- Resistência a pragas e doenças, especialmente à cigarrinha-das-pastagens
- Boa tolerância ao pastejo e ao pisoteio
- Alta capacidade de competição com plantas invasoras
- Alta persistência, permanecendo produtiva por décadas quando bem manejada
Não existe “capim milagroso”. Existe capim adequado ao solo, clima, manejo e sistema produtivo.
A principal característica que o capim deve ter é boa adaptabilidade à região e a propriedade.
Caracteristicas do gênero Brachiaria
O gênero Brachiaria (atualmente Urochloa) representa cerca de 70% das pastagens cultivadas no Brasil. Originárias do continente africano, essas espécies foram introduzidas no país a partir da década de 1950 e se tornaram a base da pecuária nacional.
Entre as principais espécies, destacam-se:
- Brachiaria decumbens
- Brachiaria brizantha
- Brachiaria humidicola
- Brachiaria ruziziensis
Cada uma possui características próprias de adaptação, exigência nutricional, tolerância à seca, resistência a pragas e resposta ao manejo.
Brachiaria decumbens (braquiarinha)
Principais características:
- Baixa exigência de fertilidade do solo
- Alta tolerância à seca
- Alta resistência ao pisoteio
- Boa capacidade de cobertura do solo
- Alta produção de sementes
Limitações:
- Baixa resistência à cigarrinha-das-pastagens
- Baixa tolerância ao encharcamento
- Pode favorecer casos de fotossensibilização
- Menor valor nutricional
É indicada para solos pobres, bem drenados e regiões com menor pressão de cigarrinha.
Brachiaria brizantha: diversidade de cultivares e alta performance
A Brachiaria brizantha é a espécie mais tecnificada do Brasil, com diversas cultivares lançadas pela pesquisa.
Principais cultivares:
🌱 Marandu
- Exige solos de média a alta fertilidade
- Boa resistência à cigarrinha
- Alta produção de forragem
- Boa resposta à adubação
🌱 Xaraés
- Alta produção de matéria seca
- Maior proporção de folhas
- Maior valor nutricional
- Rebrota rápida
- Excelente para sistemas intensivos
🌱 Piatã
- Alta produção de folhas
- Excelente para diferimento de pastagens
- Boa qualidade nutricional no período seco
Cada cultivar atende nichos específicos de solo, clima e manejo.
Brachiaria humidicola
Indicada para áreas:
- de baixa fertilidade
- mal drenadas
- sujeitas a alagamento
- regiões com alta umidade
Vantagens:
- Alta tolerância à seca e à umidade
- Excelente cobertura do solo
- Boa resistência ao pisoteio
Limitações:
- Baixo valor nutricional
- Menor palatabilidade
- Estabelecimento lento
- Hospedeira da cigarrinha
Manejo correto: altura de entrada e saída
Mais importante que a espécie é o manejo correto da pastagem:
- Altura de entrada média: 25 a 30 cm, varia de acordo com a espécie
- Altura de saída: 10 a 15 cm, varia de acordo com a espécie
- Descanso médio: 25-30 (dependendo do clima e da cultivar)
Sempre respeitar a altura de manejo para manutenção das pastagens.
📌 O manejo adequado mantém:
- maior proporção de folhas
- melhor valor nutricional
- maior persistência da pastagem
- maior desempenho animal
Atualmente já existem cultivares de Brachiarias como o capim mavuno e Mg5 que tem alta produtividade diferente de variedades mais antigas, mas também são mais exigentes quanto à fertilidade de solo.
Conclusão: não existe capim ideal, existe sistema bem planejado
A escolha da espécie forrageira deve estar integrada ao:
- tipo de solo
- regime de chuvas
- sistema produtivo
- nível tecnológico
- objetivo da fazenda (leite, corte, recria, engorda, cria)
Pastagem não é só capim. É sistema de produção.
👉 Esse tema se conecta diretamente com outro ponto essencial da produtividade.
Recomendo a leitura do artigo:
“Intensificação da Pecuária à Pasto”, disponível nesse blog.
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